Como devem já saber, houve greve dos funcionários da Infraestruturas de Portugal (IP) esta segunda-feira, dia 12. Andar nos transportes públicos dá azo a situações caricatas, especialmente nos dias de greve, em que os passageiros vão todos acomodados de forma semelhante às anchovas em lata.

Para chegar à faculdade, tenho que apanhar um autocarro até à estação da CP, e depois o comboio e o metro. Ora, como os comboios eram quase inexistentes, e os poucos que circulavam vinham mais do que cheios, a maioria das pessoas recorreu aos autocarros para chegar, ainda que com duas ou três horas de atraso, ao seu destino. Isto resultou, como era de esperar, em autocarros cheios, ao ponto de não ser possível entrar mais ninguém, por mais que gritassem: “cheguem-se para trás pá, então!? Toca a andar!”

Começo logo o dia de forma extraordinária. No Parque Eduardo VII, uma das paragens do autocarro, vejo – isto às 11 e tal da manhã – uma carrinha encostada à berma, certamente com um homem ao volante, junto a uma senhora que, tanto pela vestimenta, como pelo local onde se encontrava, aparentava ser uma mulher de maus costumes e princípios duvidosos, se é que me entendem…

Na viagem de regresso a casa, com o trânsito habitual da hora de ponta e o autocarro mais cheio que sei lá o quê, começa a diversão. Uma senhora ao pé de mim toca na campainha porque se encosta acidentalmente. O motorista pára, mas ninguém sai. Então, o que é que o motorista decide fazer? Birra. Pois é, o senhor motorista ficou parado na paragem (passe-se a redundância) durante, pelo menos, minuto e meio. Isto conjugado com a sua cara de enjoado por o terem feito parar inutilmente. Pode até parecer algo insignificante, mas houve alguém que não gostou. E como sei isto?, perguntam vocês. Bem, algumas paragens à frente, um senhor sai do autocarro e, de repente, ouço uma gritaria que mais parecia uma convenção de varinas. De toda a escaramuça, apenas percebi: “você é um mal-educado!! Vou fazer queixa de si!!” Ao que o motorista responde, também aos berros, com o seu nome e número de funcionário, e com “façam reclamação à vontade!!”. Entretanto, toda a gente (excepto eu) estava já farta desta discussão, e é então que um terço dos passageiros grita coisas como “vamos lá embora!” e “toca a andar!”, e nós lá continuamos o caminho.

Depois de todo este stress, acontece a pior das coisas: o motorista, enervado e a desabafar com alguém lá à frente, esquece-se de virar numa certa rua na Amadora. Cai o Carmo e a Trindade. Origina-se um alvoroço. O público da Festa do Avante não fazia aquele barulho todo, garanto-vos! Depois de ser insultado por metade dos passageiros, o motorista, para voltar ao sítio onde era suposto ter virado, vai por todos os caminhos menos aqueles que os passageiros lhe aconselhavam. Andámos tanto que, entre outros comentários, ouvi: “olha agora vamos à Reboleira”; “já agora vamos a Benfica!” e claro, o meu preferido, “este gajo é uma besta!”. Ah, como eu adoro os portugueses ♡

No meio disto tudo, eu estava, como podem calcular, a morrer a rir. E eis que a senhora perto de mim (leia-se: a culpada de tudo isto por causa do raio da campainha), com a sua cara de cu, olha para mim e diz: “está-se a rir? Não tem piada nenhuma.” Obviamente, só me fez rir mais, e a senhora, com toda a certeza, rogou-me uma praga. De forma que, se eu desaparecer subitamente, já sabem o que aconteceu… foi macumba!

Posto isto, só tenho uma coisa a dizer: dias de greve da IP em Portugal compensam, e de que maneira!