TítuloO Hipnotista
Autor: Lars Kepler
Editora: Porto Editora
Ano de publicação: 2010
Páginas: 560
 
Onde comprar: Inglês & Português

Mais uma opinião, desta vez de um policial! Já tinha saudades do género – o último policial que li foi o A Mulher Desaparecida, há meses atrás.
Demorei bastante tempo a lê-lo porque, por parvoíce, comecei a leitura na altura em que tinha os testes todos de seguida. Por isso, demorei umas três semanas até o terminar.

 

A História 

Neste livro seguimos duas histórias. Por um lado, Erik, um famoso hipnotista sueco, é chamado para auxiliar na resolução de um caso. Uma família aparece morta (alguns até esquartejados), e há um sobrevivente, o Josef. De forma a obter alguma informação que possa ajudar na investigação, Joona Linna, o detective que vamos seguir durante toda esta série, pede que Erik hipnotize Josef, que está em coma. Erik recusa, já que tinha prometido – tanto a si próprio, como ao público – que jamais voltaria a hipnotizar alguém. No entanto, acaba por ceder quando se chega à conclusão de que a sua ajuda poderia salvar a vida de um outro membro da família, a irmã mais velha de Josef.

Por outro lado, existe outro caso – o filho de Erik é raptado quando a família está toda em casa. Durante todo o livro, vamos tentar perceber o que se passou em ambos os casos, e se poderá existir alguma conexão entre estas duas vertentes da história.

 

Opinião

Este foi o primeiro livro que li da dupla Lars Kepler, e confesso que estou entusiasmada para continuar a série. Já tenho mais quatro livros, só me faltam dois para ter a colecção inteira!

O enredo, algo complexo, está bem pensado e, mais importante, bem executado. Achei todas as reviravoltas e revelações inteligentes, e aconteceram todas no momento certo para o desenrolar da acção. Logo no início, existe uma revelação que me deixou imediatamente viciada na história, e que me fazia querer ler compulsivamente – sem poder, porque tinha de estudar 🙁

Existem representações de machismo e bullying, que eu acho sempre que não são levados muito a sério, portanto gosto sempre quando surgem em livros – assim pode ser que abram os olhos a alguém que não os vê como um problema, quem sabe?

“Senhoras finas – diz ele, com desprezo. – Só estão satisfeitas com a picha enfiada, não é verdade?”

“Simone percebe que o homem não vai desistir até chamar a sua atenção. Como muitos outros homens, parece não compreender que as mulheres têm a sua própria vida, as suas ideias próprias e que não estão permanentemente dispostas a ouvi-los.”

Gostei bastante dos detalhes técnicos que foram incorporados na história. Tanto detalhes médicos, como jurídicos – e até a descrição da hipnose – me pareceram bem fundamentados com pesquisa por parte dos autores. Isso é algo que eu aprecio, mostra esforço por parte do autor!

Apesar de o foco ser sempre a investigação, existem também momentos de humor, e até algumas cenas de sexo. É, portanto, uma leitura que tem conteúdo para todos os gostos.

“Todas as entradas se referem a Erik. Há diferentes teorias irónicas sobre Benjamin ter sido hipnotizado e transformado num idiota, prova de que Erik hipnotizou todo o povo sueco. A mensagem de alguém que exige uma indemnização por Erik lhe ter hipnotizado o pénis.”

Houve apenas dois aspectos do livro que não me agradaram muito. Primeiro, a personagem de Simone, mulher de Erik, enerva-me. Em vez de comunicar com os outros personagens, inventa histórias e teorias na sua cabeça, e assume que é aquela a realidade.
A segunda coisa menos boa, é o facto de haver muita informação desnecessária, que só contribui para o tamanho enorme do livro. Penso que conseguiriam o mesmo efeito com menos cerca de 100 páginas. É apenas por estas duas coisas que não vou dar 5 estrelas ao livro!

Concluindo, apesar de achar um pouco longa demais, aconselho esta leitura a amantes de policiais e thrillers. É um livro cheio de crime, traição, mistério e morbidez.

★★★★☆ 4/5 estrelas