Título: A Rapariga no Gelo (Erika Foster #1)
Autor: Robert Bryndza
Editora: Alma dos Livros
Ano de publicação: 2017
Páginas: 352

 

Onde comprar (portes grátis): Wook*

Mais um policial lido, desta vez o primeiro de uma série muito conhecida e por muitos amada, que me foi gentilmente enviado pela editora, Alma dos Livros, a quem muito agradeço ♡

 

A História

Em A Rapariga no Gelo, seguimos a inspectora Erika Foster, de origem eslovaca, que protagoniza e dá nome à série, a partir do momento em que é chamada para dirigir uma investigação. Tinha estado afastada devido a uma operação por si liderada que correu bastante mal, resultando em mortes e ferimentos. É então nomeada para liderar uma investigação que envolve o desaparecimento de uma jovem – Andrea, que pertence a uma importante família inglesa, cujo patriarca tem o título de lorde. Entretanto, um corpo é encontrado no jardim de um museu, e tudo se desenvolve a partir daí.

A luz do iPhone tingiu a superfície congelada de um verde sombrio, e, logo abaixo, ele viu uma mão esticada na direcção de onde o dedo atravessava o gelo. O que devia ser um braço desaparecia nas profundezas (p. 17)

Opinião

Confesso que fiquei completamente rendida ao autor. As minhas expectativas eram altas, já que tanta gente leu e adorou este livro, bem como os restantes da série, e não fiquei desiludida, de todo! A escrita é muito fluida, fácil de ler, e eu fiquei tão embrenhada na história que quase nem fiz anotações e marcações no livro como costumo fazer. Fiquei viciadíssima na leitura, e consegui acabá-la em pouco tempo, mesmo com dias de aulas e trabalho pelo meio.

Apesar de a maior parte do livro ser narrada a partir da perspectiva da inspectora Erika, temos ainda, a partir de certa altura, a perspectiva do assassino, que tem também uma fascinante vertente de stalker. Stalker esse que anda, literalmente, a gozar com a polícia durante toda a investigação, e que tem o descaramento de se chegar tão perto que consegue pôr bilhetes no bolso da Inspectora-Chefe, entre outras coisas. Só por esta personagem, já vale a pena lerem, não acham?

A várias casas de distância do apartamento de Erika, enfiada num vão onde a rua fazia uma curva apertada, uma pessoa encontrava-se agachada à entrada de um beco, vestida de preto dos pés à cabeça, fundindo-se com a escuridão. Observava Erika na janela enquanto esta acendia outro cigarro e relaxava, com o fumo a subir e a enroscar-se em volta da lâmpada nua acima da cabeça (p. 121)

Tal como acontece em Perto de Casa, temos em mãos um caso extremamente mediático, embora por razões diferentes em ambos os livros. Aqui, deve-se à fama e importância da família, bem como aos escândalos que a envolvem, quer antes, quer depois do desaparecimento da filha. Agravando a exploração dos media, são revelados pormenores da vida íntima de Andrea – que, digamos, tinha hábitos pouco recomendáveis para um membro de uma família de prestígio.

O enredo construído pelo autor é brilhantemente pensado e executado, fui completamente surpreendida quando finalmente se descobriu o que tinha acontecido. Sabem quando desconfiam de meio mundo, mas não de quem é realmente o culpado? Foi o que me aconteceu durante esta leitura – Bryndza sabe bem o que está a fazer quando escreve, e enganou-me bem enganada!

A vítima jazia ali praticamente nua, com exceção dos restos de um vestido rasgado e enlameado, enrolado à cintura, e, por baixo, as tiras rasgadas de uma tanga preta. Tinha os lábios carnudos entreabertos e um dos dentes da frente partido perto da gengiva. Os olhos arregalados apresentavam um ar leitoso e o cabelo comprido estava cheio de folhas e de detritos da água (p. 34)

Ao longo da leitura, fui notando algumas semelhanças entre A Rapariga no Gelo e a série Onde Está Elisa?, que tenho acompanhado de há uns meses para cá. Tal como o inspector na série, Erika sofreu uma tragédia no seu passado, relacionada com a sua família, e não lhe é fácil ultrapassar essa situação. Também de forma semelhante à série, a inspectora é afastada do caso, com base na sua conduta um pouco hostil mas, maioritariamente, porque a polícia se deixa influenciar e controlar pelo poder da família de Andrea. Mas Erika não desiste, e recusa-se a aceitar que a polícia faça as vontades a um lorde, por isso, continua a investigar. Por fim, temos os segredos de família que vão sendo revelados ao longo da investigação. Quem vê a série notará, certamente, todas estas semelhanças.

Como é costume neste tipo de séries policiais, os casos e a sua investigação são explorados paralelamente à própria história e vida pessoal da inspectora Erika. Conforme mencionei anteriormente, o seu passado inclui acontecimentos traumáticos para si, que ela revive constantemente e com os quais tem muita dificuldade em conseguir lidar. A dor que Erika sente é avassaladora, e isso fica muito claro no final do livro, que me deixou de lágrimas nos olhos.

Era a última fotografia de Mark tirada com vida. Em cima, estava escrito a marcador vermelho: ÉS COMO EU, INSPECTORA-CHEFE FOSTER, AMBOS MATÁMOS CINCO (p. 172)

Por mais incrível que pareça, A Rapariga no Gelo é o primeiro policial do autor, que publicou várias comédias românticas antes de enveredar pelo mundo do crime – salvo seja! Bryndza cria aqui um enredo muito bem construído que, aliado à escrita viciante e à escandaleira que envolve os personagens, torna A Rapariga no Gelo uma leitura indispensável. Estou morta para continuar a ler sobre Erika e as suas investigações, e pretendo fazê-lo em breve!
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5/5 estrelas

 

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